O Santa Cruz segue trabalhando para que o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) venha ser implantado. No entanto, uma questão vem sendo discutida nesse processo: a transferência definitiva do estádio do Arruda.
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Em entrevista concedida à Rádio Jornal, o presidente do Conselho Fiscal do Santa Cruz, Bartolomeu Bueno, falou sobre o assunto. Primeiramente, esclareceu o motivo do adiamento sobre o parecer, isso porque o Conselho precisa avaliar o balanço financeiro de 2024 e o planejamento para 2025, fatores importantes para o processo de Recuperação Judicial do clube.
“A reunião foi adiada novamente, só que, dessa vez, é uma imposição legal, porque havia uma convocação para o Conselho Deliberativo nesta quinta-feira (03), para apreciar o balanço do ano passado, o demonstrativo financeiro e as contas do presidente Bruno Rodrigues, que já estão atrasadas. Elas deveriam ter sido apresentadas desde abril, e já há uma vigência legal a ser cumprida. O próprio juiz da Recuperação Judicial também está exigindo isso com urgência. Então, a gente vai ter que dar o parecer. Além disso, há o planejamento econômico e financeiro, também para o futebol em 2025. Isso tem que ser cumprido, porque tem repercussão no plano de Recuperação Judicial, e temos que ter cuidado, porque, se não for aprovado pela assembleia de credores, isso pode determinar a falência do Santa Cruz”.
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Bartolomeu também explicou sobre a sua visão referente a transferência definitiva do estádio tricolor para a SAF. Segundo ele, o clube não pode repassar o estádio por uma imposição legal.
“A lei municipal que fez a doação dos lotes de terrenos, que depois foram remembrados em um único terreno, foi concedida ao clube em caráter de persona com uma finalidade específica, para o uso em atividade desportiva. O Santa Cruz não pode transferir para outra pessoa, que não seja ele mesmo. A SAF não será Santa Cruz S.A, será Cobra Coral Participações S/A, uma outra empresa que o Santa Cruz terá participação societária de 10%, com um assento no Conselho de Administração e um assento no Conselho Fiscal. Estaríamos fazendo uma transferência que a lei proíbe”.
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O presidente do Conselho Fiscal também afirmou que não conversou com os investidores e tratou de ressaltar que as negociações junto ao presidente Bruno Rodrigues seguem ocorrendo, e voltou a afirmar que sem uma mudança na legislação o estádio não pode ser transferido para a SAF.
“Não conversei e nem vou conversar. Hoje fui chamado, mas não fui, porque essas negociações são feitas pelo presidente Bruno Rodrigues e ainda estão ocorrendo. Acho até que estão passando da conta, quando vai um investidor, dar uma entrevista dizendo que sem a transferência definitiva, não tem SAF. Tudo isso ainda está em negociação. Quando for modificada a lei, o estádio será transferido definitivamente. Enquanto isso não ocorrer, será feita uma concessão de uso por 50 anos, prorrogável automaticamente por mais 50 anos. Então, eles admitem a concessão de uso. Do ponto de vista legal, nós não podemos transferir definitivamente. O Código Civil proíbe que eu faça um contrato me responsabilizando por fato de terceiro, e qual seria? A modificação da lei depende do prefeito e da Câmara dos Vereadores. A lei me proíbe de colocar isso no contrato”.
O grupo de investidores negocia a compra de 90% da SAF tricolor e a previsão é de que o investimento total seja de R$ 1 bilhão durante o período de 15 anos. Após avaliação do Conselho Deliberativo, a proposta vinculante será levada a votação na Assembleia Geral de Sócios.












